Monday, December 20, 2010

Sevilha, muito prazer!

Depois da nossa "mala pata" em Roma, foi a hora de experimentar o sul da Espanha, Sevilha, na região de Andaluzia. Se na Itália a pata estava mala, em Sevilha ocorreu o contrário. Nossa estadia foi perfeita!!! Tempinho fresco, comida "buenísima", pessoas simpáticas, passeios muito interessantes.

O Sul da Espanha tem grande influência da cultura árabe. A arquitetura e o interior dos prédios revelam isso. Pode-se encontrar azulejos coloridos em muitos interiores de edifícios, onde muitas vezes há uma espécie de pracinha. Essa arquitetura está fortemente presente em um dos principais cartões postais de Sevillha: o Palácio de Alcázar. Trata-se de um prédio que tem servido para abrigar os monarcas da hoje Espanha desde o ano de 913. O salão principal do Alcázar é de tirar o fôlego -- riquíssimo em detalhes. Nossas fotos não ficaram muito boas, mas vou postar uma para vcs terem uma idéia.

Parede do salão principal.
Teto do salão principal. Muito dourado e azulejos em alto relevo.
Parede de azulejos coloridos. Linda!
Jardins do Alcázar com a Torre Giralda ao fundo.

A cidade tem muitas laranjeiras espalhadas pelas ruas, muitas mesmo!
Sevilha já sediou duas grandes feiras internacionais (1929 e 1992) que trouxeram grandes benefícios para a cidade. Um deles foi a contrução da Plaça da España, no Parque María Luisa, um dos principais cartões postais da cidade.

Plaça de España.

Em Sevilha também está a maior Catedral de Estilo Gótico do Mundo e a terceira maior igreja em toda a terra. Aqui encontra-se parte do corpo de Cristóvão Colombo. Não me perguntem o que ele tem a ver com a Igreja e nem porque somente parte do seu corpo está ali. Se bem que acho que isso tem a ver com a grande influência que a Igreja Católica tinha sobre a política no século "sei lá qual". Aliás, era na frente dessa igreja em que as pessoas se encontravam para saber notícias do "Novo Mundo". As embarcações chegavam, os navegantes descarregavam nosso ouro na chamada "Torre de Oro" (hoje o prédio abriga um museu da Marinha) e já partiam para a igreja.

Lateral da Catedral de Sevilha, onde as pessoas se encontravam para saber notícias do "Novo Mundo".
Altar folheado a ouro!!!
Na mesma praça da Catedral está o "Arquivo das Índias", museu onde se guardam documentos daqueles tempos. De vez em quando, o Tratado de Tordesilhas fica exposto lá! Vocês perceberam que o Museu leva o nome de Indias e não América, não é? Isso é por causa daquela história de que Colombo  acreditava ter chegado nas Índias quando encontrou a América. Até hoje, muitos espanhóis se referem ao nosso continente como Índia. Só por curiosidade, peru em Catalão, se chama "frango da índia" porque teria sua origem em nossas terras.

Passamos para a comida. Não há como não vir a Sevilha e não provar do melhor jamón ibérico (típico presunto espanhol). Também não há como passar batido pelos churros com chocolate. Não é churros recheado com chocolate como no Brasil. É a massa de churros frita e um copinho de chocolate quente onde se mergulha o churros. Até eu, que sempre achei meio nojento colocar o biscoito no copo de leite, me rendi a essa iguaria. Felizmente, em Barcelona tbm há muitas "churrerias" e posso saciar a minha gula sempre que dá vontade (aliás, no frio, essa vontade tem sido cada vez mais frequente). Por último e não menos importante, estão os montaditos. Esses são sanduíches feitos em pão de hamburger e que já ficam montados à espera dos clientes. E o mais incrível: custam pouquíssimo, como a maioria das comidas dessa região. Um montadito pode custar de 1 a 3 euros e, dependendo do lugar, pode valer por uma refeição.

Refeição, essa palavra não faz muito sucesso em Andaluzia, pois lá que se inventaram as tapas (pequenas porções de petiscos). Não tinha como não lembrar das tias Graça e Conceição. Elas iriam adorar Sevilha também. Não encontramos as famosas "patatas bravas" (batatas fritas e com molho de pimenta), mas, em compensação, havia muitas tapas de frutos do mar e pescado. Uma perdição. E o melhor vem agora. Os bares de Sevilha fazem inveja aos "pés sujos" do Rio de Janeiro (ouviu Gilson?). Ouvi dizer que lá, se vc gostou de  uma comida, deve limpar a boca com um guardanapo e o jogá-lo no CHÃO! Não podíamos deixar de postar a foto do bar mais "pé sujo" que estivemos. Na entrada, havia um balcão com muitos montaditos, jamón, cerveja e sangria (outra iguaria andaluz). Depois de comprar o que te apetece, vc pode se dirigir aos fundos do bar, onde há uma escadaria bem grande, com azulejos lindos e sentar-se para comer/beber. Detalhe: no chão, há serragem e, claro, guardanapos. Vejam a foto.

Entrada do bar com muitos montaditos na estante e jamons pendurados.
Degrau do bar.
Decidimos sentar em outro lado do bar, onde havia umas mesinhas para dois também em uma escada. Se vc derruba um copo, corre o risco de molhar as costas do cliente sentado na sua frente. Tudo muito diferente e encantador.

Sevilha também tem grande influência do povo cigano, aqui chamado Gitano. Aqui nasceu o Flamenco, dança tão característica da Espanha. Nessa cidade, o bairro mais boêmio, Triana, é habitado pelos ciganos. Eu, particularmente, tenho fascinação pela cultura desse povo e por isso, a minha única decepção em Sevilha foi não ter encontrado os ciganos na forma como eu gostaria. Queria ver mulheres vestidas com roupas coloridas, jóias, flores no cabelo, bailando ao som do flamenco. Queria ver tbm quiromancistas nas ruas pedindo para ler nossas mãos, acampamentos onde se vende tachos para cozinhar... Acho que assiti demais aos ciganos Dara e Igor da novela "Explode Coração" da Globo, lembram? :D O máximo que vi foram alguns homens tocando arcodeón na rua. Bonito também.

Em Sevilha, os ciganos estão muito bem integrados na sociedade. Felizmente, aqui eles não sofrem o preconceito como em muitos outros lugares da Europa. Todas as muitas etnias existentes em Sevilha parecem viver em harmonia. "Me gusta!"

Para quem quiser e puder conhecer a Andaluzia, recomendo ir também a Córdoba e Granada, onde, dizem, existem atrações maravilhosas.

Saludos!

Wednesday, November 3, 2010

Roma e a "mala pata"

Cada vez estou mais certa de que o nosso estado de espírito influi muito na hora de desfrutar de uma viagem. Infelizmente, ao chegar nos primeiros pontos turísticos de Roma, já não havia humor que aguentasse tanta "mala pata", como diriam os espanhóis. "Mala pata" é uma expressão que quer dizer falta de sorte e vou explicar porque nos encontrávamos assim naquela viagem.

Quase na hora de ir para o aeroporto eu decidi comprar umas coisinhas numa perfumaria perto de casa. Ao passar no caixa, tive o meu cartão recusado. Como eu não tinha dinheiro, tive que deixar os meus produtinhos e ir até um caixa eletrônico. Para a minha surpresa, não consegui sacar dinheiro. A coisa ficou pior quando descobri que o Eraldo tbm não tinha nada de dinheiro e tbm não conseguia acessar seu dinheiro do banco. Imagina o nosso desespero... Ligando para o Banco do Brasil descobrimos que o problema era com a bandeira visa e que conseguiríamos sacar dinheiro com um cartão mastercard. Felizmente, tínhamos um cartão dessa bandeira e, então, pudemos resolver o nosso primeiro problema. Desse sufoco aprendemos que nunca se deve confiar nos cartões de crédito quando estiver em terras distantes.

Seguimos para o aeroporto felizes, pois tínhamos muita vontade de conhecer Roma, a cidade eterna. Chegamos cedo, jantamos e fomos para a sala de embarque com bastante antecedência. Ao chegar na sala, nos sentamos de costas para o portão de entrada do nosso vôo. Alguns minutos depois percebemos uma porção de gente olhando atentamente para o portão. Vou explicar o porquê. É que para embarcar no vôo de nossa companhia (ryanair) sem pagar por excesso de bagagem, só se pode levar uma bagagem de mão com dimensões 55x20x40 cm, o que equivale a uma mala pequena. Para checar as dimensões, a companhia manda os passageiros colocarem suas malas em uma espécie de jaulinha. Se a mala não entrar, paga-se pelo excesso. O problema é que um casal forçou a entrada de uma de suas malas e não conseguia mais tirar a bagagem da jaula. O mais engraçado é que o casal era brasileiro, rs. Depois de uns 5 minutos de tentativa, o Eraldo se comoveu com a situação e resolveu ajudá-los. Depois de mais uns 5 minutos, eles conseguiram retirar a mala e todos da sala de embarque aplaudiram pelo feito. Então, voltamos a nos sentar e iniciamos uma conversa sobre como nós brasileiros somos atrapalhados. Mal sabíamos que teríamos mais uma prova viva disso.

Ainda na sala do aeroporto, de tempos em tempos virávamos para ver se a fila de embarque diminuía, mas ela sempre estava com muitas pessoas. Até que uma hora, nos viramos e vimos que a fila continuava grande, mas já não era para o nosso vôo. O nosso embarque já tinha sido finalizado! Corremos e falamos com os funcionários que, por sua vez, nos disseram que nos haviam chamado algumas vezes :( Eles então contataram a aeronave por rádio e nos disseram que corrêssemos para embarcar. Assim fizemos, passando pela pista dos aviões como desesperados, correndo o risco de sermos atropelados por uma aeronave e levando alguns funcionários a se desesperar, kkk. O problema é que havia uns 6 aviões parados na pista. Qual seria o nosso? Quando finalmente descobrimos, o comissário de bordo já ia retirar a escada de acesso ao avião e, quando nos viu, não mudou de idéia. Nos disse que deveríamos estar na sala de embarque a pelo menos 30 minutos antes da hora de partida do avião e simplesmente não nos deixou embarcar. Mal sabia ele que estávamos lá há mais de 1 hora :(

Bem, não teve jeito, tivemos que pagar para remarcar a passagem para a manhã do dia seguinte e dormir em um hotel no aeroporto. No total, o preço da nossa viagem, que já não sairia barata, dobrou e foi às alturas. No outro dia partimos para Roma. Ao chegar no hotel, o nosso ânimo já não era mais o mesmo. Estávamos cansados e logo percebemos que a nossa acomodação tinha um custo benefício muito ruim.

Eu já tinha ouvido falar que Roma era desorganizada, mas, de verdade, não imaginava tanto. Faltam sinais nas ruas, os motoristas buzinam bastante e o metro é ineficiente, cobrindo apenas uma pequena área da cidade. Nada que para nós, brasileiros que vivemos no Rio de Janeiro, seja novidade. Só não imaginávamos que isso pudesse acontecer na Europa e em um país bem mais rico que o nosso. 

No Coliseu, nosso primeiro monumento, foi que tive a "mala pata", literalmente. Meus sapatos estavam simplesmente esmagando os meus dedinhos - em cima, do lado, nas juntas... Só sobrava o calcanhar. Eu bem que tentei, mas não deu, tivemos que sair à procura de uma loja de sapatos. O problema é que era um domingo e nada estava aberto. Andamos, andamos, e encontramos só uma lojinha chinesa que vendia uns chinelos horrorosos, mas, nos meus pés surrados, eles me levavam aos céus. Como eram confortáveis ;) Detalhe: quando eu viajo, costumo levar as minhas roupinhas mais bonitinhas para ficar bem na foto, mas nesse dia, não foi possível, rs. Tirem as suas próprias conclusões sobre os meus chinelinhos na foto abaixo.



Entramos no Coliseo e apreciamos aquele espetáculo de monumento. Que preciosidade, quanta história por trás daquilo tudo. 



Bem, só não dava para ficar com aquele chinelo a viagem inteira. No dia seguinte, segunda-feira, fui ao centro e comprei um tênis. Mal sabia eu que mesmo o tênis me machucaria o pé em um lugar até então intacto: os calcanhares. Nesse ponto, eu já não podia mais reclamar para o Eraldo. Ele estava pê da vida comigo por eu não ter levado o meu bom e velho tênis de academia para Roma. Continuamos andando por Roma e os meus pés continuaram a doer (isso explica o meu sorriso amarelo em algumas fotos). Como mulher sofre, não?

Além do Coliseo, visitamos as ruínas do Fórum Romano, o Pantheon, a Fontana de Trevi, a Vila Borgese, algumas igrejas e, claro, o Vaticano. A Basílica de São Pedro é lindíssima e merece ser visitada. Surpreendentemente, não se paga para entrar lá. Além dela, muitas outras igrejas nos impressionaram. As duas fotos abaixo são da Basílica. Vejam o tamanho das pessoas em frente ao altar na primeira foto.



O teto da Basílica.



Uma das melhores partes da viagem foi, sem dúvida, comer. Ai como eu queria ter mais fome para aproveitar melhor aqueles dias... Pizzas, pastas, sorvetes, biscoitos, vinhos, tudo que há de bom e que eu adoro, encontrei em Roma. Para melhorar ainda mais, encontramos com o Giuseppe, um amigo da Y! que nos levou para jantar com a sua namorada, a Alessandra. Ambos são uma simpatia só e eu e o Eraldo, mesmo não tendo nenhuma língua em comum para falar com a Alessandra, conseguimos nos comunicar numa boa. Foi uma noite muito agradável! Depois da janta, o casal nos levou para um passeio pelas ruas próximas ao restaurante. Para finalizar, fomos a uma sorveteria. Na opinião deles, é a melhor de Roma. Quem sou eu para discordar? Estava delicioso!




O Giuseppe tbm nos indicou um outro restaurante em que fui só com o Eraldo Luís. Que delícia de lugar e de comida. Giuseppe, serei eternamente grata a vc por essa dica. Eu comi um espaghetti maravilhoso com uma entrada mais que especial e por um preço mais que justo. Silvanet, nesse dia eu só conseguia me lembrar de vc. Te imaginava aproveitando essas coisas boas da Itália. Agora entendo a sua vontade de comer uma pizza inteira só para vc :D Aos que pretendem visitar Roma, o restaurante se chama Trattoria Vecchia Roma (via Ferruccio 12).

Acho que tenho que voltar a Itália para poder apreciar mais essa fabulosa culinária :D

PS: acho que o criador do desenho Bob Esponja plagiou uma obra do museu do Vaticano. Vejam a foto e digam se o Patrick não se parece com essa peça :D  


PS 2: Além das malas patas que já contei, houve outras. Perdemos o ônibus para o aeroporto, esquecemos que a diária do hotel incluía café da manhã e ainda escutamos de um garçom que um simples sorvete era muito caro para nós... Fala sério, é ou não é estar de "mala pata"?  

Sunday, October 3, 2010

Depois de Neguinhos em Barcelona, Neguinhos no Google Street View

Gente, essa foi uma das coisas mais engraçadas que me aconteceu nos últimos meses. Eu e o Eraldo estamos no Google Street View! Vejam
http://maps.google.com/maps?f=q&source=s_q&hl=en&geocode=&q=gattopardo,+rio+de+janeiro&sll=41.613902,2.492523&sspn=0.293128,0.617294&ie=UTF8&hq=gattopardo,&hnear=Rio+de+Janeiro,+Brazil&ll=-22.980762,-43.222435&spn=0.172577,0.308647&t=h&z=12&layer=c&cbll=-22.980762,-43.222435&panoid=J-XmB47KkAvCeiSZdN_HwA&cbp=12,307.36,,1,9


Tudo aconteceu da seguinte forma. Eu e o Eraldo fomos almoçar em um barzinho perto da nossa casa no Rio de Janeiro. Eu sabia que a Google estava mapeando a cidade para oferecer o Street View em breve. Papo vai, papo vem, eis que, de repente, me aparece um carro todo chamativo, com adesivos da Google e com um equipamento de fotografia giratório em seu capô. Enquanto eu apontava para o carro, a foto do link acima foi tirada. Hahaha. A razão do Eraldo não estar olhando para o carro é simples: havia uma TV dentro do bar na qual passava um jogo de futebol. Não teve problema, pois sua carequinha inconfundível foi registrada. E detalhe, ela não foi borrada como a minha cara :D


Navegando no link acima é possível ver umas 4 fotos nossas.

Saludos!

Coisas diferentes de Barcelona

Ao chegar em Barcelona, tudo era estranho para mim. Eu reparava as pessoas, os costumes e pensava: que diferente, tenho que postar isso no blog. Só que resolvi esperar o tempo passar de forma que eu fizesse um post bem grande e cheio de histórias inusitadas. O problema é que o tempo foi passando e já não encontro mais nada diferente para contar, kkk. Das duas uma: ou não há mais nada diferente ou eu me tornei diferente, kkk. O fato é que agora só tenho umas coisinhas para contar. As outras ficaram sem importância, rs. Aí vai.

Vcs acreditam que aqui é comum tomar café expresso com gelo? Sim, vc pede dessa forma: "un café con hielo, por favor". Daí o garçon te trás um cafézinho em um copinho acompanhado de um copão com gelo.


Para mim é muito estranho ver isso. Me lembra a propaganda do creme dental Sensodine. Sabe aquela "gelado ou quente, sem dor de dente"? kkk. Para tomar basta adoçar o cafézinho e depejá-lo no copão. As pessoas costumam só dar uma breve chacoalhada no copo e virar de uma só vez. Para o calor que faz em Barça no verão, deve ser bom. Digo deve porque não sou fã de café preto :/

Outra coisa diferente relacionada a bebida. Aqui, é comum as pessoas misturarem água gasosa com vinho! Qdo vi isso pela primeira vez, pensei: "Que pecado! Justo com o vinho, essa bebida tão maravilhosa, fartamente produzida na Espanha". O problema é que assim como a Espanha produz muitos vinhos bons, ela tbm produz muitos não tão bons assim. Esses últimos são frequentemente oferecidos de brinde em menus nos restaurantes. Então, para disfarçar a má qualidade e tornar a bebida mais refrescante, os espanhóis, principalmente os do sul do país, onde faz mais calor, costumam misturar essas bebidas. É gostoso :)

Em Barcelona é muito comum os vizinhos de um prédio não quererem compartilhar gastos para a melhoria do condomínio. Geralmente, os prédios não tem porteiro, nem garagem e nem elevador. O lixo deve ser conduzido pelo morador até uma lixeira na rua. No meu caso, tenho que separar o lixo orgânico, das garrafas e das embalagens recicláveis e levá-los até a lixeira mais próxima que fica a uma quadra e meia de distância. É estranho quando ando com muito lixo pela rua. Mas voltando ao assunto dos morados que não colaboram com o condomínio, quero contar algumas histórias que escutei e outra que tenho vivido.

Primeiro, vi no noticiário sobre uns vizinhos que, numa zona onde a prostituição é comum aqui em Barcelona, estavam tendo problemas com a entrada de pessoas estranhas no prédio. Tudo porque a porta da frente não estava trancando! Tão simples de resolver, né? Estranhos entravam, subiam até os últimos andares, praticavam sexo, usavam drogas e deixavam os restos da festa nas escadas. Na minha cabeça, ninguém gostaria que isso acontecesse no seu prédio, mas, nesse caso, só os vizinhos dos andares mais altos se importavam. Os debaixo não e por isso não quiseram pagar pelo conserto da porta. O resultado foi que a prefeitura é que quem teve que pagar... Estranhísso!

Contei a história da porta para a Anna, nossa amiga catalã, e ela veio com outra. Disse que em alguns prédios da cidade, quando vão instalar/consertar interfone os moradores de apartamentos da fachada não querem pagar pelo serviço. Alegam que quando alguém quer subir/falar, chama/grita na rua e eles veem quem é pela janela, kkkk. Ilário!

A terceira história acontece no meu prédio. O edifício tem 100 anos (até novo para os padrões da cidade), 6 andares e não contava com elevador até pouco tempo. Instalar elevador em prédio que não foi projetado para isso é custoso e o resultado, vcs já podem imaginar, foi que os moradores dos andares de baixo não quiseram pagar pelo equipamento. Sabe o que aconteceu? Colocaram um painel de seleção de andares no elevador que só é ativado com chave!!! Cada morador que pagou pelo elevador tem uma e não se pode fazer cópias. É estranho! Quando se encontra um morado no térreo nem dá para oferecer carona no elevador, pois pode ser que ele não seja habilitado a usá-lo.

Uma última observação. No Brasil, as pessoas não costuma mudar muito o corte de cabelo. As mulheres então, parecem padronizadas com cabelos lisos, com mechas, franjas desfiadas... Todas iguais. Aqui, a coisa muda para o outro extremo, inclusive para os homens. Cabelo aqui faz parte do estilo (como é esperado que seja realmente). Há muitos salões com preços bem em conta. Entre os diversos modelos de corte, no entanto, há um que faz a cabeço dos catalães, literalmente. É um corte onde a franja é cortada bem rente à raiz. Lembra um pouco o corte Chitãozinho e Xororó dos anos 80, sabe? No começo, eu achava estranho, mas agora até "me gusta". Não para mim, mas gosto. Acho engraçadinho, pois parece corte de criança que gruda chiclete no cabelo e a mãe se vê obrigada a cortar o fio na raiz :DDD

Semana passada, tomei coragem e fui cortar as minha madeixas. Não elegi o corte da franjinha, mas sim o meu tradicional brasileiro. Só tinha um detalhe: a chinesa que cortou o meu cabelo era quase suicida. Repicou o meu cabelo sem medo e agora estou com um visual todo moderno, estilo China. "Me gusta" :P

Saludos!

Sunday, September 19, 2010

Viagem ao Sul da França - Parte 2: Domme


Como contei na última postagem, fizemos uma viagem ao sul da França para encontrar o Oliv e o Hub. Saímos de Barcelona pela manhã, paramos em Carcassonne algumas horas e seguimos para a região do rio Dordogne, onde fica a pequenita cidade de Domme. Chegamos em Domme por volta das 11h da noite.

Pra quem não conhece o Oliv e o Hub, vou contextualizar. Conheci o Hub no Rio de Janeiro, quando fazia mestrado. Eu, o Pablito e o Bruno OS (como diria o Serginho) montamos uma república e tínhamos um quarto sobrando. O Hub estava fazendo um intercâmbio na PUC e foi morar com a gente. O Oliv estudou na mesma universidade do Hub e também estava fazendo intercâmbio no Brasil. Conhecemos o Oliv através do Hub e também ficamos amigos. No final da sua estadia, o Oliv ficou na república algumas semanas e até foi em Mineiros comigo :).

Oliv, Hub, Fani, Paul, Brigitte e Valéria
O Oliv não está morando na França atualmente. Mas veio passar o verão com a família. Ele então nos convidou para passar uns dias na casa da família. Trocamos umas dezenas de email até decidirmos que no primeiro final de semana de setembro iríamos todos para Domme. O Hubert foi com a Fani (sua namorada) e eu fui com minha neguinha :D. Em Domme, já estavam o Oliv, seu pai (Paul) e sua mãe (Brigitte).

Na primeira noite a Valéria notou algo muito interessante: íamos presenciar uma verdadeira Torre de Babel. Afinal qual idioma usaríamos para conversar? Já sabíamos que usaríamos diferentes idiomas. Mas o mais interessante era que, independente do idioma, sempre haveria alguém que não entenderia a conversa, pois não havia ninguém que falasse os quatro idiomas usados (Francês, Português, Inglês e Espanhol). Eu e a Valéria falamos Português, Inglês e Espanhol, mas não falamos Francês. O Hub fala Português, Francês e Espanhol, mas não fala Inglês. O Oliv fala Francês, Inglês e Português, mas não fala Espanhol. E, finalmente, a Fani fala Inglês e Francês, mas não fala Português nem Espanhol. Isto foi muito legal! Kkkkkkk. Na realidade, eu e a Valéria logo notamos que nós e a Fani éramos os mais ignorantes. Pois o Oliv entende bem Espanhol e o Hub entende bem o Inglês :/. Também tínhamos o sr. Paul e a dona Brigitte. O sr. Paul foi bem privilegiado, pois fala Inglês, Francês e Espanhol. Mas não fala Português, rssss. A sra. Brigitte sempre falava em Francês, mas sempre entendia umas coisas quando falávamos em Português, Inglês ou Espanhol. Acho que ela fala um monte de idiomas também. Só estava disfarçando. Não dava pra falar mal dela na mesa, rsss. Nem tinha como. Ela é um amor. Sempre fazendo brincadeiras e provocando o sorriso nas pessoas.

A família do Oliv tem raízes bem antigas na cidade. A casa deles foi construída no século XV e está com a família há quatro gerações. Hoje em dia eles usam a casa apenas para descansar, mas a dona Brigitte nasceu e cresceu nesta casa. A casa é fantástica! A casa tem cinco séculos e é muito bem cuidada pelos pais do Oliv. A casa é gigante. Se não me engano, tem sete quartos. E não são quartos pequenos, rs. No interior da casa tem um jardim muito agradável, onde passamos a maior parte do tempo e onde tomávamos café da manhã e almoçávamos. O tempo ajudou muito e o final de semana foi de céu limpo o tempo todo.

O sr. Paul e a dona Brigitte foram ótimos com a gente. Nos trataram muito bem. Além de serem sempre muito atenciosos, nós comemos e bebemos do bom e do melhor. Acho que engordamos uns cinco quilos, pelo menos :). Comemos carne de carneiro, de pato, de vaca, dentre outros. Vinho? Eram três tipos por refeição, inclusive no café da manhã, se quisesse :).

Os queijos precisam de um parágrafo a parte. Uau! Na França, eles têm o costume de comer queijo em toda refeição. Mas não é misturar o queijo com a comida e pronto. Após o prato principal, comemos uma "rodada" de queijo. Apenas queijo e pão. Mas que queijos! Conhecemos alguns queijos maravilhosos da própria região. Eu ainda preciso enviar a foto dos queijos para o Hub ou para o Oliv escrevem os nomes em cima. Porque não sabemos o nome de quase nenhum deles, hehe.

Sabe aquela história de que os pratos franceses são pequenos? É a mais pura verdade. Mas não significa que você come pouco. Pelo contrário. Em cada prato você come um pouquinho, mas são muitos pratos diferentes em cada refeição. Praticamente toda refeição tem uma entrada, o prato principal, os queijos e depois a sobremesa. Você pode ficar comendo o dia inteiro se quiser, porque são muitas opções, rs.

Encontrar os meninos foi muito bom! É sempre bom encontrar esses malucos. Sempre que nos encontramos, passamos ótimos momentos juntos. Momentos de relax total. Apenas curtindo a vida e conversando fiado. Também fiquei muito feliz porque a Valéria pode conhecer melhor os dois. Nós também pudemos conhecer a Fani (eu já a conhecia mas não muito) e os pais do Oliv. O final de semana foi maravilhoso! É sério... faltam adjetivos pra eu expressar como foi agradável. Foi nossa primeira viagem pra fora da Espanha e valeu muito a pena. Fico ansioso pela próxima vez que vou encontrar estes dois novamente.

Viagem ao Sul da França - Parte 1: Carcassonne

No início deste mês fizemos uma viagem muito legal pelo sul da França, que fica bem perto de Barcelona. Um grande amigo francês, o Olivier, nos convidou para passar o final de semana na casa de sua família, em uma pequena cidade chamada Domme. O Oliv está morando fora e fazia mais de um ano que não nos víamos. Foi uma ótima oportunidade para revê-lo e ainda conhecer pessoas e lugares muito especiais. Além disso, um outro grande amigo, o Hubert, também resolveu ir pra Domme para nos encontrarmos todos. Enfim, a viagem foi maravilhosa e nesta postagem conto a primeira parte da viagem, que foi uma visita à cidade medieval de Carcassonne.

Carcassonne é uma cidade medieval fortificada. Para nós, que só conhecíamos estas cidades de desenhos e filmes :), foi fantástico entrar lá, tocar naqueles muros gigantescos e sentir de perto como era a vida há alguns séculos atrás.

Hoje em dia, Carcassonne não é somente uma cidade medieval cercada pelas muralhas. A cidade possui aproximadamente 50 mil habitantes e a parte fortificada é apenas uma pequena parte. Esta é a parte mais interessante para os turistas, claro. Dentro das muralhas, a cidade antiga foi mantida. A maior parte das construções são restaurantes e hotéis, mas também tem alguns moradores na cidade velha.

Sabe aquelas pontes móveis dos castelos nos desenhos? Aquelas que são erguidas quando os inimigos estão chegando e os primeiros caem no poço, rss? Pois em Carcassonne tem uma dessas. Foi até engraçado ver essas coisas :). Parecia que a gente estava dentro dentro de um desenho animado ou de um filme da sessão da tarde, kkkk.


Nos fundos da cidade fortificada fica o castelo. O castelo funciona como um museu, com alguns artigos da época. Mas o mais legal é que podemos subir nas muralhas do castelo e passear pelos fundos da cidade. É muito legal mesmo! :D A gente passa pelos locais onde ficavam os arqueiros, os canhões, etc.


Para ir à Carcassone, saímos de Barcelona bem cedinho. Paramos em Carcassonne para visitar a cidade e almoçar. Lógico que a gente almoçou dentro da cidade medieval e pedimos um prato típico francês: cassolet. É como se fosse uma feijoada, com linguiça suína e uma coxa de pato. É uma delícia! [Weig, quando vocês vierem nos visitar, eu te levo pra comer um cassolet.] Mas é muito pesado, rsss. Imagina dirigir 300 km depois de um cassolet? Kkkkk. Detalhe: depois deste cassolet, nossos intestinos nunca foram os mesmos. Nossas barrigas ficam fazendo barulho o tempo todo. Já estamos ficando preocupados. Já se passaram duas semanas e nossa barriga continua com esses barulhos estranhos :/. Algo mudou no nosso interior depois do cassolet, rsss.

Mais fotos da nossa visita à Carcassone estão no meu álbum. A nossa viagem segue nas próximas postagens :).

Saturday, September 18, 2010

Restaurante especializado em sobremesas

Na Y! o Eraldo conheceu o Jeff, um americano muito simpático e que tem como hobbie a culinária. O Jeff nos levou para comer em alguns lugares, todos muito bons. No dia de sua despedida, ele surpreendeu e chamou os amigos para ir ao Espai Sucre, um dos melhores restaurantes especializados em sobremesas do mundo. Pedimos um menu com combinações muito exóticas (todos os menus do restaurante são assim). Vejam.

Começamos com três entradas. Primeiro barrinhas de tomate desidratado e gergelim.


Biscoitinhos com salsicha (chorizo espanhol) e pêra.


Sopa de abóbora com creme de leite e sementes de abóbora no fundo.


Depois passamos para os pratos. O primeiro foi arroz de bacalhau, sorvete de tomate, alcachofra e mel.


Uma espécie de cerveja de gengibre, pepino e sorvete de abacaxi com estragão.


Bolo de azeite extra-virgem, pêssego, azeitona e um queijo defumado chamado "San Símon".


Trufa de cogumelos, manteiga, avelã e cacau.


Finalmente chegamos ao que seria a sobremesa "mais sobremesa". Essas eram menos estranhas ;) Havia pirulitos que lembravam beijinhos e docinhos de mel e gergilim que lembravam pé-de-moleque.


Tbm tinha doces amarelinhos de gengibre bastante fortes, pedacinhos de um doce molinho feito com iogurte e pimenta do reino e, o mais bizarro, chocolates com aroma de bacon.


Cada etapa do menu acompanhava uma taça de vinho especialmente pensada para a combinação de sabores. Tudo muito chique. Valeu Jeff!!!

Mais fotos de pratos provados no local podem ser vistas aqui no blog do Jeff.

Thursday, September 9, 2010

Festa Major de Gràcia

Assim como no Brasil, na Espanha, toda cidade tem um santo patrono. Nos dias próximos ao dia do santo padroeiro, as cidades celebram uma grande festa chamada, em Catalão, Festa Major. Algumas vezes a festa não é realizada no dia do padroeiro, mas na data de algum evento histórico. Como Barcelona é formada por vários antigos distritos, muitos dos hoje bairros tem seus próprios santos e, por isso, celebram a sua própria Festa Major. No bairro em que moramos, Gràcia, acontece a maior festa da cidade.

Nessa festa o principal objetivo é unir a comunidade. Os próprios moradores se dedicam a enfeitar as suas ruas (há concurso para eleger a rua mais bonita), fazer comidas típicas e apresentar a arte catalã através de música, dança e teatro. Ou seja, é tudo muito artístico. Vejam algumas ruas da festa deste ano.







Nesse ano, a rua vencedora foi, mais uma vez, a Verdi.


Como vcs podem notar, a decoração lembra muito o carnaval do Rio de Janeiro. Há tbm o desfile de bonecos gigantes que lembra o carnaval de Olinda. Por outro lado, tem algumas coisas que achei bem mais originais. Durante a festa, os moradores das ruas enfeitadas montam grandes mesas e comem na própria rua. Muitas vezes, eles fazem verdadeiros banquetes! Nós, pobres mortais visitantes temos que comer nas pracinhas montadas, o que, para falar a verdade, não era ruim ;)


Agora, o mais diferente eu deixei por último. Toda festa major que se preze tem que ter torre humana. É isso mesmo... Uma torre formada por pessoas e onde os elementos mais altos da torre são formados por criancinhas. Fiquei passada em ver, e olha que essa torre, dizem, não é das mais altas.


No próximo dia 24 acontece a Festa Major de Barcelona. O Larri, um professor do Departamento, disso que as torres humanas dessa festa são bemmm maiores. Sinistro!

Sitges

Como eu esqueci de dizer que quando o Maia esteve aqui fomos a Sitges? Sitges é uma cidadezinha praiana a 30 km de Barcelona. Com praias de águas limpas e calmas, um centro histórico e arquitetura muito charmosa, Sitges é muito frequentada pelos moradores da Catalúnia. No dia em que fomos lá, fazia um sol daqueles...



Sitges também é conhecida como "mini Ibiza" e hoje, dizem, é uma das cidades mais "gay-friendly" do mundo.


Como aqui na Espanha estou mais perto da África, resolvi ressaltar o meu lado negro e fazer trancinhas. Ficou legal, mas 2 dias depois já queria meu cabelinho solto de volta. Aguentei uns 6 dias. Na foto abaixo, estou com a senegalense que fez o meu penteado.

Wednesday, September 1, 2010

Nossas primeiras visitas

O Maia, a Kylme, a tia Conceição e a tia Graça foram as nossas primeiras visitas. Visitas é modo de dizer porque eles já tinham decidido vir antes mesmo da gente. Tanto que ficaram em um hotel próximo às Las Ramblas, ponto mais turístico da cidade. No entanto, isso não foi desculpa para ficarmos longe. Depois que nos encontramos pela primeira vez, não nos desgrudamos mais :D

Andamos por muitos pontos turísticos da cidade juntos. Fomos à festa de Gràcia, às fontes de Montjuïc, à Pedreira, ao Aquário e aos tradicionais Parque Güell e Sagrada Família. Depois devo postar sobre os dois primeiros eventos. A foto abaixo foi tirada na Casa Milá.


E a abaixo, na saída do aquário.



As tias, assim como eu, ficaram fãs de TAPAS!!! Ops, deixa eu explicar, tapas aqui na Espanha são pequenas porções de petiscos. Os mais comuns são jamón ibérico (um presunto da região) e batatas bravas (batatas fritas com um molho picante e maionese alho e óleo). Mas tem muuuuuito mais, incluindo tapas de frutos do mar, já que esses são comum na região do mediterrâneo. Depois vou postar fotos de um bar de tapas delicioso que fui com o Eraldo, mas, enquanto isso, vale essa abaixo para ter uma idéia.



Antes de irmos para a festa de Gràcia, fizemos um brinde em casa. Calma, Sérgio! Ainda não foi nesse que brindamos pelo seu doutorado ;)



Quando a foto aparecer, vcs verão que a tia Graça está com um copo de margarita na mão. Essa margarita merece ter a sua história contada aqui...

Eu adoooro margarita e ao chegar em Barcelona, encontrei em um supermercado uma garrafa dessa bebida mexicana por apenas 6 euros... Que bagatela! Não pensei duas vezes e comprei. Chegando em casa, a coloquei no congelador, preparei o meu copinho com sal e me deliciei... Aquele azedinho estava tão gostoso, tão refrescante que quis mais. Dessa vez, dobrei a quantidade e coloquei quase um copo inteiro do drink verde. Virei tudo! O estranho foi que não fiquei zoró e ainda comentei com o Eraldo: "Nossa, que bebida levinha!". Quando decidi olhar o rótulo, vi que a bebida era somente o suco de limão para a margarita. Era preciso adicionar uma dose de tequila. MICO!!! hahaha.

Bem, mas contei tudo isso para dizer que como a tia Graça estava fazendo uso de remédios, ela não podia beber, então a servi da minha margarita. A tia Graça provou e aprovou!!! Valeu, tia Graça!

Maia, Kylme, tia Conceição e tia Graça, nossos momentos juntos foram ótimos. Adoramos!