Monday, December 20, 2010

Sevilha, muito prazer!

Depois da nossa "mala pata" em Roma, foi a hora de experimentar o sul da Espanha, Sevilha, na região de Andaluzia. Se na Itália a pata estava mala, em Sevilha ocorreu o contrário. Nossa estadia foi perfeita!!! Tempinho fresco, comida "buenísima", pessoas simpáticas, passeios muito interessantes.

O Sul da Espanha tem grande influência da cultura árabe. A arquitetura e o interior dos prédios revelam isso. Pode-se encontrar azulejos coloridos em muitos interiores de edifícios, onde muitas vezes há uma espécie de pracinha. Essa arquitetura está fortemente presente em um dos principais cartões postais de Sevillha: o Palácio de Alcázar. Trata-se de um prédio que tem servido para abrigar os monarcas da hoje Espanha desde o ano de 913. O salão principal do Alcázar é de tirar o fôlego -- riquíssimo em detalhes. Nossas fotos não ficaram muito boas, mas vou postar uma para vcs terem uma idéia.

Parede do salão principal.
Teto do salão principal. Muito dourado e azulejos em alto relevo.
Parede de azulejos coloridos. Linda!
Jardins do Alcázar com a Torre Giralda ao fundo.

A cidade tem muitas laranjeiras espalhadas pelas ruas, muitas mesmo!
Sevilha já sediou duas grandes feiras internacionais (1929 e 1992) que trouxeram grandes benefícios para a cidade. Um deles foi a contrução da Plaça da España, no Parque María Luisa, um dos principais cartões postais da cidade.

Plaça de España.

Em Sevilha também está a maior Catedral de Estilo Gótico do Mundo e a terceira maior igreja em toda a terra. Aqui encontra-se parte do corpo de Cristóvão Colombo. Não me perguntem o que ele tem a ver com a Igreja e nem porque somente parte do seu corpo está ali. Se bem que acho que isso tem a ver com a grande influência que a Igreja Católica tinha sobre a política no século "sei lá qual". Aliás, era na frente dessa igreja em que as pessoas se encontravam para saber notícias do "Novo Mundo". As embarcações chegavam, os navegantes descarregavam nosso ouro na chamada "Torre de Oro" (hoje o prédio abriga um museu da Marinha) e já partiam para a igreja.

Lateral da Catedral de Sevilha, onde as pessoas se encontravam para saber notícias do "Novo Mundo".
Altar folheado a ouro!!!
Na mesma praça da Catedral está o "Arquivo das Índias", museu onde se guardam documentos daqueles tempos. De vez em quando, o Tratado de Tordesilhas fica exposto lá! Vocês perceberam que o Museu leva o nome de Indias e não América, não é? Isso é por causa daquela história de que Colombo  acreditava ter chegado nas Índias quando encontrou a América. Até hoje, muitos espanhóis se referem ao nosso continente como Índia. Só por curiosidade, peru em Catalão, se chama "frango da índia" porque teria sua origem em nossas terras.

Passamos para a comida. Não há como não vir a Sevilha e não provar do melhor jamón ibérico (típico presunto espanhol). Também não há como passar batido pelos churros com chocolate. Não é churros recheado com chocolate como no Brasil. É a massa de churros frita e um copinho de chocolate quente onde se mergulha o churros. Até eu, que sempre achei meio nojento colocar o biscoito no copo de leite, me rendi a essa iguaria. Felizmente, em Barcelona tbm há muitas "churrerias" e posso saciar a minha gula sempre que dá vontade (aliás, no frio, essa vontade tem sido cada vez mais frequente). Por último e não menos importante, estão os montaditos. Esses são sanduíches feitos em pão de hamburger e que já ficam montados à espera dos clientes. E o mais incrível: custam pouquíssimo, como a maioria das comidas dessa região. Um montadito pode custar de 1 a 3 euros e, dependendo do lugar, pode valer por uma refeição.

Refeição, essa palavra não faz muito sucesso em Andaluzia, pois lá que se inventaram as tapas (pequenas porções de petiscos). Não tinha como não lembrar das tias Graça e Conceição. Elas iriam adorar Sevilha também. Não encontramos as famosas "patatas bravas" (batatas fritas e com molho de pimenta), mas, em compensação, havia muitas tapas de frutos do mar e pescado. Uma perdição. E o melhor vem agora. Os bares de Sevilha fazem inveja aos "pés sujos" do Rio de Janeiro (ouviu Gilson?). Ouvi dizer que lá, se vc gostou de  uma comida, deve limpar a boca com um guardanapo e o jogá-lo no CHÃO! Não podíamos deixar de postar a foto do bar mais "pé sujo" que estivemos. Na entrada, havia um balcão com muitos montaditos, jamón, cerveja e sangria (outra iguaria andaluz). Depois de comprar o que te apetece, vc pode se dirigir aos fundos do bar, onde há uma escadaria bem grande, com azulejos lindos e sentar-se para comer/beber. Detalhe: no chão, há serragem e, claro, guardanapos. Vejam a foto.

Entrada do bar com muitos montaditos na estante e jamons pendurados.
Degrau do bar.
Decidimos sentar em outro lado do bar, onde havia umas mesinhas para dois também em uma escada. Se vc derruba um copo, corre o risco de molhar as costas do cliente sentado na sua frente. Tudo muito diferente e encantador.

Sevilha também tem grande influência do povo cigano, aqui chamado Gitano. Aqui nasceu o Flamenco, dança tão característica da Espanha. Nessa cidade, o bairro mais boêmio, Triana, é habitado pelos ciganos. Eu, particularmente, tenho fascinação pela cultura desse povo e por isso, a minha única decepção em Sevilha foi não ter encontrado os ciganos na forma como eu gostaria. Queria ver mulheres vestidas com roupas coloridas, jóias, flores no cabelo, bailando ao som do flamenco. Queria ver tbm quiromancistas nas ruas pedindo para ler nossas mãos, acampamentos onde se vende tachos para cozinhar... Acho que assiti demais aos ciganos Dara e Igor da novela "Explode Coração" da Globo, lembram? :D O máximo que vi foram alguns homens tocando arcodeón na rua. Bonito também.

Em Sevilha, os ciganos estão muito bem integrados na sociedade. Felizmente, aqui eles não sofrem o preconceito como em muitos outros lugares da Europa. Todas as muitas etnias existentes em Sevilha parecem viver em harmonia. "Me gusta!"

Para quem quiser e puder conhecer a Andaluzia, recomendo ir também a Córdoba e Granada, onde, dizem, existem atrações maravilhosas.

Saludos!